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Cemig e Federal de Lavras realizam pesquisa inédita com peixes do São Francisco

A Cemig e a Universidade Federal de Lavras (Ufla) estão realizando um projeto inédito na América do Sul para estudar o comportamento de peixes das espécies mandi e curimba no rio São Francisco, abaixo da barragem de Três Marias.

A metodologia, conhecida como telemetria acústica, tem obtido êxito nos trabalhos já realizados em outros países, e está sendo utilizada desde outubro na busca de informações para conservar os espécimes e evitar acidentes em usinas durante a parada e partida de máquinas.

O trabalho surgiu pela necessidade de compreender o comportamento dos peixes na área do canal de fuga da usina de Três Marias, situado logo após a barragem, e a possível influência que a operação da usina tem sobre seu comportamento.

Para isso, 200 peixes estão sendo marcados com transmissores acústicos e rastreados por hidrofones instalados na área próxima à barragem da usina e submersos na água. Ao final do projeto, em 2012, espera-se entender como os peixes se aproximam da usina, buscando subsidiar ações para evitar o acúmulo de cardumes próximos às unidades geradoras e evitar acidentes.

Segundo o biólogo da Ufla, Fábio Suzuki, os transmissores emitem um som com uma freqüência inaudível para o homem, mas que podem ser percebidos pelos hidrofones em um raio de até um quilômetro de distância. “Quando o peixe entra na área de abrangência dos receptores, todo o seu movimento fica armazenado no computador, sendo possível identificar o indivíduo marcado, a data e hora de entrada e saída, tempo de permanência e o tipo de comportamento do mesmo no local”, explica o biólogo.

Parceria com os pescadores

Uma série de reuniões realizadas com pescadores de Três Marias e São Gonçalo do Abaeté, em diversas localidades às margens do São Francisco, firmou o apoio da classe pesqueira ao projeto de pesquisa. Os pescadores receberam informações e esclareceram dúvidas e se disponibilizaram a colaborar informando por telefone o local e data de captura dos espécimes marcados, entregando a marca e ajudando a preservar o equipamento utilizado para pesquisa.

Em julho deste ano foram instalados os hidrofones e vários biólogos da Cemig, da Ufla e da Universidade Federal de São João Del Rei, além de especialistas americanos da empresa HTI, prepararam os equipamentos para o início do trabalho. Além disso, forma inseridas as primeiras marcas durante cirurgias em peixes das espécies pesquisadas.

O estudo é realizado no âmbito do Programa Peixe Vivo, iniciativa da Cemig que atua em três frentes: nos programas de conservação da ictiofauna (conjunto de espécies de peixes em uma determinada região) e bacias hidrográficas, na produção de conhecimento científico para subsidiar esses programas e na promoção do envolvimento da comunidade nas atividades previstas. Além dos centros de pesquisa e da Cemig, o projeto tem o apoio do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-MG), Polícia Ambiental e Ministério Público.

11/11/11

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