EM LAVRAS NINGUÉM RECEBEU DOAÇÃO “OCULTA”

Em Lavras, nenhum dos três candidatos que disputam a Prefeitura apresentou em suas prestações de contas ‘doações ocultas". Já em São Paulo, por exemplo, 72% do dinheiro doado aos 11 candidatos a prefeito foi feito de forma indireta, o que dificultará - e, em alguns casos, impossibilitará - a futura identificação entre doador e candidato, segundo revelou a reportagem publicada na semana passada pelo jornal Folha de São Paulo.

Conforme demostra a matéria, o drible para que empresas ou pessoas físicas não tenham o nome vinculado diretamente ao candidato no que se refere às doações, pode ser de quatro maneiras, cujos mecanismos são permitidos por lei. O primeiro, diretamente para o próprio candidato, o que carimba claramente a doação como dinheiro da empresa tal para o candidato tal. A segunda maneira pode ser feita ao comitê financeiro municipal para prefeito, o que também carimba a doação. Em outra forma a doação pode ser feita ao comitê financeiro municipal único, ou ainda ao partido político.

As duas últimas opções, ainda segundo a reportagem, dificultam muito ou inviabilizam completamente a identificação de qual empresa ou pessoa doou para cada candidato. Isso ocorre porque, ao repassar a doação ao candidato, o comitê financeiro municipal único e o partido político não precisam fazer, em suas prestações de contas, a ligação clara entre doador e beneficiário.

A reportagem explica que, geralmente, eles misturam todas as doações em uma coluna de receitas e, então, listam a coluna de despesas, sem estabelecer uma ligação clara entre elas. Além disso, enquanto os candidatos e os comitês apresentam suas prestações de contas em um período curto após as eleições, a dos partidos políticos é entregue somente em abril do ano seguinte.
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