ADUFLA doa alimentos para a população em insegurança alimentar de Lavras



ADUFLA doa alimentos para a população em insegurança alimentar de Lavras

Uma iniciativa da Associação das e dos Docentes da Universidade Federal de Lavras (ADUFLA), seção sindical que existe há mais de 53 anos, resultou, até o momento, na doação de mais de 850 quilos em gêneros alimentícios para famílias em situação de insegurança alimentar, por meio do Banco Municipal de Alimentos de Lavras (BMAL) – tudo isto apenas nos meses de junho e julho. A ação surgiu em solidariedade ao agravamento das condições de vida da população.

A ADUFLA sempre foi uma instituição com responsabilidade social, fazendo outras doações, apoiando lutas e movimentos sociais, mas agora surgiram situações de emergência, devido ao agravamento da crise sanitária causada pelo novo coronavírus. Importante destacar que a aquisição e doação de alimentos é feita com recursos da mensalidade sindical, sendo uma contribuição coletiva das e dos docentes filiados à seção sindical, na busca de diminuir os efeitos da pandemia junto das famílias em situação de vulnerabilidade social. Tais doações foram iniciadas ainda no começo da pandemia em 2020, e permanecem como compromisso da Associação com a população lavrense neste momento especialmente grave vivido por todas e todos.


“Temos que lembrar que no início de 2021 o Estado ficou sem pagar o Auxílio Emergencial, e agora está pagando pouco, apesar de a alimentação estar mais cara.  Por isso professoras e professores se colocaram de forma solidária à população, como acontece com outras questões sociais. Isso faz parte da nossa história. Lutamos por uma país mais igualitário, mas, nesse momento de crise, foi a forma mais imediata que encontramos para ajudar”, afirmou professor Celso Vallin, da diretoria da associação sindical.

A opção por trabalhar com o Banco Municipal de Alimentos (BMAL) decorreu da necessidade de se saber a quem doar. O órgão municipal mantém um cadastro oficial das famílias em situação de vulnerabilidade social e insegurança alimentar na cidade, amparadas pela rede dos Centros de Referência em Assistência Social (CRAS). O BMAL foi criado em 2019, com apoio do Departamento de Nutrição da UFLA, por iniciativa da professora Carolina Martins dos Santos Chagas, com o objetivo de proteção e promoção da segurança alimentar e nutricional.

Recentemente, o Banco de Alimentos ganhou uma nova ferramenta. Trata-se da Plataforma DI@ - Direito à Alimentação: um programa de computador feito com o trabalho voluntário do professor Paulo Afonso Parreira Júnior e outros do Departamento de Ciência da Computação da UFLA. O sistema fornece um ambiente virtual que agiliza o trabalho dos técnicos e gestores dos CRAS na coleta e sistematização das informações socioeconômicas das famílias em nível domiciliar.

“O aplicativo acelera muito o processo de entrevistar as famílias, identificar as mais necessitadas e destinar as cestas para aquelas que mais precisam. Hoje já foram distribuídas mais de 20 mil cestas. E outro ponto importante é que o aplicativo é totalmente genérico, podendo ser adaptado para qualquer instituição que tenha interesse em fazer este tipo de trabalho. Ele foi criado de forma totalmente voluntária, com código aberto, ou seja, apesar de ter sido criado dentro de um projeto maior na UFLA, ele pode ser utilizado, adaptado, de forma livre e gratuita por outras entidades. O projeto contou com apoio do professor Heitor [Heitor Augusto Xavier Costa] e um ex-aluno meu, que também abraçou a causa. É gratificante ter participado de um trabalho como esse, devolvendo de alguma forma à comunidade o que ela mesmo propicia. Afinal, é ela que nos sustenta aqui na universidade, ainda mais num momento como este, onde as pessoas estão passando por necessidade devido à pandemia”, enfatizou o professor Paulo Afonso.


Apoio ao agricultor local

Além de beneficiar as famílias cadastradas no programa municipal, a proposta privilegiou também pequenos/as produtores/as rurais do município através da compra direta dos alimentos, notadamente de quem planta sem o uso de agrotóxicos, respeitando a natureza.  Essa compra de pequenas produções é também uma forma de promover a economia local, assegurando uma boa qualidade nutricional no combate à fome. “O apoio à economia local pode gerar benefício a mais pessoas. Nesses tempos de pandemia, empreendimentos nacionais e transnacionais têm enriquecido, enquanto que as economias locais se ressentem da pouca atividade”, ressaltou Celso Vallin.

Para o agricultor Carpegiani, da região do Engenho de Serra, zona rural da Lavras, “é muito importante [o apoio da ADUFLA aos produtores locais], porque o pessoal vai consumir um produto, pode-se dizer, sem agrotóxicos, bem melhor para a saúde. Também ajuda bem o produtor, que às vezes está passando por uma situação difícil. Isso ajuda muito”. Entre as doações tivemos mandioca, fubá, inhame, abóbora, feijão e outros alimentos.


Fonte: Ascom/ADUFLA

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