Setor ferroviário do Sul de Minas cobra celeridade da VLI

Empreendedores do Sul de Minas cobraram, na última sexta-feira (3), celeridade da concessionária VLI nas respostas a demandas sobre projetos para trens de carga, passageiros e turistas na região. Eles participaram de audiência da Comissão Extraordinária Pró-Ferrovias Mineiras da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

A VLI opera a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), que corta cidades do Sul de Minas. A empresa foi convidada para a audiência, mas não compareceu. O deputado João Leite (PSDB), presidente da comissão e autor do requerimento para a audiência, alertou que autoridades municipais estão perdendo a paciência e criticou a concessionária por não atender ao chamado da ALMG.

Um dos projetos em “banho-maria” é a reforma do trecho entre Lavras e Varginha, passando por Três Corações. A obra já foi determinada, inclusive, pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), conforme informou o procurador Fernando de Almeida Martins, do Ministério Público Federal, em mensagem na qual justificou sua ausência na reunião.


Expresso do Rei

Nessa linha, o Circuito Ferroviário Vale Verde (CFVV) pretende rodar com o chamado “Expresso do Rei”, um trem turístico que já possui, até mesmo, locomotiva da década de 1950 inteiramente restaurada. O trecho também tem grande potencial para o transporte de pequenas cargas, conforme destacou Herman Resende Santos, diretor de Projetos do CFVV.

César Mori Júnior, presidente do Circuito Vale Verde, informou que a VLI parece estar se preparando para iniciar a obra em Três Corações, quando a demanda é pelo início em Lavras, sede da CFVV. 

“Sabemos que é uma obra demorada. Se começarem em Lavras, poderemos dar início a treinamentos e testes de locomotivas assim que o primeiro trecho ficar pronto”, justificou César Mori.

Ele também chamou a atenção para o estado precário da estação ferroviária de Três Corações. “A concessionária fez um convênio com a prefeitura, mas a estação está abandonada. Até fogo colocaram lá”, afirmou.


Lojas com produtos regionais seriam instaladas

O planejamento do CFVV inclui, ainda, um ramal rodoferroviário na BR-381, próximo a Três Corações; a implantação de unidades comerciais nas estações ferroviárias do “Expresso do Rei”, do tipo armazém de origem, para valorizar a produção local e atrair novos consumidores e mercados; e até educação patrimonial.

“Não seria apenas o transporte de pessoas, mas toda a formatação de produtos turísticos e a profissionalização de receptivos nos municípios”, acrescentou Herman Santos. Usando a ferramenta de participação on-line da audiência, o cafeicultor Geraldo Magela da Silva, de Cataguases (Mata), acrescentou que o café também poderia ser transportado pela ferrovia, com redução nos custos. 


Carrancas

Enquanto o projeto Lavras-Três Corações-Varginha vai sendo tocado, o CFVV busca implantar um outro, mais rápido porque usaria a malha atual da VLI, mas apenas nos finais de semana e feriados. Trata-se de um trem turístico entre Lavras e Carrancas, cidade conhecida pelas inúmeras cachoeiras.

César Mori Júnior informou que já pediu o direito de passagem, uma espécie de autorização da concessionária, necessária aos trâmites junto ao governo federal, mas não obteve resposta. Esse projeto foi ainda incluído no Plano Estratégico Ferroviário de Minas Gerais (PEF), um estudo que apurou a viabilidade de diversos trechos em Minas. “Se a VLI não colaborar, inviabiliza o PEF”, reiterou Herman Santos.

Alexander Marques de Oliveira, também diretor do CFVV, salientou que, enquanto os projetos demoram, trilhos vão sendo arrancados em várias cidades. Ainda segundo ele, algumas empresas estão pedindo autorização para operar linhas novas, diante da burocracia para se usar as linhas abandonadas. “Isso pode isolar regiões inteiras”, alertou.


ANTT

Representando a ANTT, Silvio Vinhal da Silva, coordenador de Planejamento e Acompanhamento da Fiscalização, afirmou que a agência apoia a instalação das chamadas “short lines” (linhas curtas conectadas a linhas maiores) na malha que foi abandonada pelas concessionárias. Porém, segundo ele, a ANTT é limitada por contratos. Uma oportunidade, em sua opinião, é a renovação do contrato da FCA, em andamento.

O deputado João Leite determinou o envio das notas taquigráficas da reunião à VLI e a diversos órgãos, solicitando resposta aos questionamentos da CFVV.  "As empresas não usam os trechos e nem deixam ninguém utilizar. Vamos pra luta", prometeu.

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