Cabos eleitorais enfrentam sol,cantadas e criticas dos eleitores

Vida de cabo eleitoral não é fácil. É preciso muita paciência para ficar durante horas debaixo do sol quente, balançando bandeiras, panfletando e defendendo o candidato para qual cada um trabalha.

A maioria das pessoas que aceitam este trabalho está passando por alguma crise financeira ou estão desempregadas. É o caso do garçom Paulo Aldair, de 25 anos. Ele diz que a dificuldade financeira foi o principal motivo que o levou a aceitar o serviço de distribuição de santinhos na região central de Lavras. O trabalho, segundo ele, não o incomoda. Pelo contrário, Aldair se diverte ao abordar os carros e as pessoas nas ruas da cidade para promover o seu candidato.

O cabo eleitoral Aldair trabalha seis horas diárias e recebe 300 reais mensais. Ele diz que recebe críticas dos eleitores, que falam mal do candidato, porém isso não o incomoda. As brincadeiras das pessoas superam todas os aborrecimentos. Ele sempre cumprimenta o cidadão na abordagem, oferece o material informativo, esclarece as dúvidas e pede o voto. Depois das eleições, ele não tem perspectiva de trabalho, porém, quer continuar seu trabalho de garçom, sua verdadeira profissão desde os 19 anos de idade.

Todos os dias, a estudante Silvana Santos, 18 anos, fica horas debaixo do sol, balançando a bandeira ou estendendo faixas de candidato a deputado nos semáforos dos cruzamentos mais movimentados da cidade. Ela recebe quinze reais por dia pelo trabalho.

Como o garçom Aldair, Silvana também adora lidar com o público. Ela diz que os comentários que recebe, principalmente cantada de homens, a incomodam. Ela confessa que às vezes revida. Porém, a orientação é fingir que não escuta. "Estas pessoas deveriam respeitar nosso trabalho e evitar estes constrangimentos", diz.

Para o sol quente, Suellen não abre mão do filtro solar para se proteger. Além do calor, que tanto a incomoda, o peso da bandeira é outra dificuldade para a cabo eleitoral. No fim do dia, os braços doem, mas "o dinheiro compensa", avalia.

As amizades que fez durante estes meses valem todas as dificuldades. Ela conta que a equipe é de dez meninas, que não deixam de se divertir durante o expediente de trabalho.

20/09/06
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